Natal com os dois - Joana Sardinha Zino

Faltam poucos dias para o Natal… época por excelência dos encontros de família, alegria, paz, união e de uma enorme importância e significado para as crianças.

Mas também pode ser uma altura de angústia, preocupação e de uma maior gestão emocional para as famílias separadas. É que um dia ou dois num ano que tem 365 não parece muito, mas o simbolismo da data e toda a magia que envolve esta quadra, pode tornar os pais mais nostálgicos e o afastamento dos seus filhos particularmente difícil.

Por estes dias, a maior preocupação dos pais que recebo em sessões de Mediação Familiar é como é que os miúdos vão passar esta época, com os pais separados. Como vai ser a divisão do seu tempo? A verdade é que não existe uma regra ideal, nem existe qualquer disposição legal em concreto que defina este período. Na regulação das responsabilidades parentais, o que é mais comum que se acorde ou decida é que “No Natal e no Fim de Ano os menores passarão com cada um dos progenitores, alternadamente e entre si, a véspera de Natal e o dia de Natal, o dia de fim de ano e o dia de Ano Novo.”. Mas não precisa de ser necessariamente assim…

Cada casa é uma casa, cada família é uma família e é necessário, no que respeita à divisão do tempo das crianças nesta altura do Natal, que se tenha em conta vários factores, como a qualidade da relação dos pais, a idade das crianças, a distância entre as casas dos pais, o respeito pelas tradições e costumes natalícios das famílias maternas e paternas e principalmente o bem-estar e a segurança emocional das crianças. O ideal é que os pais possam chegar a um acordo tendo em conta todos estes factores e principalmente a felicidade dos filhos. É o bom senso dos pais, o bem-estar dos filhos e a exequibilidade prática que deve comandar as tomadas de decisão. E é isso que vai tornar uma vivência mais positiva do Natal das crianças com os pais separados.

O que pode então ajudar a criar a paz e a harmonia nesta época entre os pais separados?

  •  Pensem sempre nas crianças primeiro. Concentrem-se na sua felicidade. Questionem-se… Como é que elas daqui a 10 anos se vão lembrar deste Natal? Que valores e princípios lhes estão a transmitir?
  • Preparem o Natal e esforcem-se para criar em cada casa um ambiente seguro e agradável. Envolvam-se nos preparativos, nas decorações e nas atividades próprias desta época. Adornem o Natal com uma boa dose de naturalidade, humor, generosidade e flexibilidade.
  • Informem as crianças com a maior antecedência possível como é que estas vão passar o Natal. A previsibilidade dá-lhes segurança. É fundamental que se converse sobre a nova forma de viver o Natal, explicando (sem dramas) de uma forma simples como será este Natal. A forma como as crianças reagem, depende essencialmente das atitudes dos pais e da forma como conseguem relacionar-se e cooperar nas tomadas de decisão.
  •  Presentes: Se as crianças já têm idade para escrever uma “carta ao Pai Natal” o ideal será que os pais partilhem e dividam os desejos dos filhos entre os dois. Se algum dos progenitores não convive diariamente com as crianças, procurem saber o que elas mais gostam e o que precisam, para evitar frustração de expectativas e excessos desnecessários. Evitem lutas de poder para ver quem dá mais e melhores presentes. Isso só aumentará o conflito.
  •  Permitam o contacto regular com o outro progenitor nos dias em que estes não estão com as crianças. Torna a distância mais suave e acalma o coração do que não está na sua companhia. Nesses contactos falem com eles de forma alegre e securizante. No fundo, é Natal!! Tempo de alegria!
  • Valorizem as tradições e as vivências na casa do outro. É tão bom as crianças viverem o melhor de cada um dos pais! Para os miúdos, podem existir duas casas, mas há só uma família e todos são importantes!
  • Quando os miúdos já são grandes, envolvam-nos na tomada de decisão da família quanto à divisão do seu tempo nas festas de família. É importante que estes sejam tidos em conta e que possam expressar a sua opinião. Sentem-se “tidos e achados” e fá-los sentir muito bem.
  • Poupem as crianças ao conflito e às discussões. Os conflitos entre os pais não devem passar para a esfera da relação com os filhos.
  • Tomem as decisões em conjunto, considerando todas as questões relevantes acerca do Natal dos filhos. Se não for possível, procurem alguém que possa mediar o diálogo entre ambos.
  • Divirtam-se! Que o Natal não seja apenas uma data, mas sim um estado de espírito!
 Um Natal feliz com os dois é o que interessa. Quanto maior for a boa vontade dos adultos envolvidos, maior será a estabilidade emocional das crianças. E lembrem-se que quem vai ajudar a tornar o Natal uma época de grande felicidade e alegria são os pais!

Texto: Joana Sardinha Zino

Fotografia: Would you Mum?

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